E HOUVE uma longa guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi; porém Davi ia se fortalecendo, mas os da casa de Saul se iam enfraquecendo.

2 Samuel 3:1-5; 5:1-9 (leia aqui)

Enquanto tudo isso acontece, Davi espera pacientemente em Hebrom que o próprio Senhor o estabeleça como rei sobre Israel. Jesus, agora no céu, espera que Deus Lhe dê o reinado universal.

O evento relatado no início do capitulo 5 é uma marco na história de Israel. É a transferência do trono de Davi para Jerusalém, cidade que ocupará um importante lugar na história da nação e nos propósitos de Deus a partir desse momento. Dentro dos muros da cidade, porém, sobre o monte Sião, estava uma cidadela virtualmente inexpugnável, ocupada desde os dias de Josué pelos jebuseus. Apesar da arrogância de seus habitantes, Davi a conquista. Contudo, aqui ele se esquece da graça que o caracterizava, pois nega aos coxos e cegos o acesso à casa de Deus. Que contraste com o Senhor que recebeu exatamente no templo os mesmos cegos e coxos e os curou (Mateus 21:14); que contraste também com o homem (o próprio Deus) que fez “um grande banquete” e para encher Sua casa mandou trazer os miseráveis, cegos e coxos (representando eu e você) a fim de compartilhar a mesa da graça (Lucas 14:21-23).

Então saiu Abner, filho de Ner, com os servos de Is-Bosete, filho de Saul, de Maanaim a Gibeom.

2 Samuel 2:12-32 (leia aqui)

A partir deste ponto até o final do capítulo 4, lemos sobre o conflito entre Davi e Isbosete, ou melhor, entre os generais de ambos, Joabe e Abner. Era uma competição de prestígio, pois cada um desses valentes homens queria ser o primeiro. O término aconteceu com o assassinato de Abner, depois o de Isbosete. Essas tristes circunstâncias, resultantes da guerra civil, foram usadas pelo Senhor para consolidar, pouco a pouco, o reinado de Davi.

A violência e o espírito de vingança estavam fora de controle. Perto do tanque de Gibeão, a medição de forças começa com um jogo. Eles apenas queriam descobrir quem era o mais habilidoso e mais forte. Porém, observe como o orgulho de
matar estava a um passo deles. A excitação leva à perda do autocontrole, e atos criminosos são cometidos antes mesmo que se pense nas conseqüências. Vinte e quatro jovens morreram juntos, cada um atravessado pela arma do seu opositor.

Note que Davi se mantém afastado das pelejas que Joabe lidera em nome do rei. Começamos a nos familiarizar com o caráter de Joabe, um homem astuto e inescrupuloso, que defende a causa de Davi por saber que poderia beneficiar-se dela.

E SUCEDEU depois disto que Davi consultou ao Senhor, dizendo: Subirei a alguma das cidades de Judá? E disse-lhe o Senhor: Sobe. E falou Davi: Para onde subirei? E disse: Para Hebrom.

2 Samuel 2:1-11 (leia aqui)

Davi não consultou Deus antes de escapar para a terra dos filisteus (1 Samuel 27:1), e isso o colocou em dificuldades. Mas essa amarga experiência não deixou de ensinar-lhe uma lição. Agora, por duas vezes ele inquire o Senhor. Jamais poderemos enfatizar o suficiente essa regra fundamental da vida cristã: a dependência. É uma obrigação, mas também é nossa fonte de força e segurança.

Hebrom, para onde Deus conduz Seu ungido, é um lugar que fala de morte. Os sepulcros dos patriarcas estavam ali. Cristo, o Amado, o verdadeiro Davi, antes de oficialmente tomar Seu reino, entrou na morte em obediência a Deus. E esse também é o lugar para onde Ele leva os Seus. Os cristãos estão mortos com Cristo.

Davi não esqueceu os habitantes de Jabes-Gileade que mostraram respeito para com Saul. Será que o Senhor esqueceria as menores misericórdias que Ele nos permitiu exercitar (Hebreus 6:10)?

A soberania de Davi seria estabelecida gradativamente. Nesse momento, apenas Judá o reconheceu como rei. O restante do povo permaneceu sob o domínio de Isbosete, filho de Saul, apoiado por Abner, o capitão do exército de Saul.

E lamentou Davi a Saul e a Jônatas, seu filho, com esta lamentação

2 Samuel 1:17-27 (leia aqui)

Longe de alegrar-se com a desgraça que se abateu sobre seu rival e perseguidor, Davi compõe um comovente lamento por causa da morte de Saul. Essa canção celebra as qualidades humanas do rei morto: sua força, sua generosidade e sua popularidade. E, encobrindo a iniqüidade de seu perseguidor pela qual tanto sofrera, Davi ainda esconde essa derrota daqueles que certamente se regozijariam com a notícia: os inimigos do Senhor. “Não o noticieis em Gate…” (v. 20).

Precisamos aprender, como Judá aprendeu (v. 18), as lições desta canção: lamentar-nos pela desgraça dos outros; apreciar as qualidades daqueles de quem não gostamos; guardar-nos de dizer coisas desagradáveis sobre alguém; e, acima de tudo, cobrir as faltas dos irmãos e irmãs para preservar o testemunho do povo de Deus diante do mundo (1 Pedro 4:8).

A seguir, movido pela dor, o coração de Davi expressa os sentimentos a respeito de seu amigo Jônatas. Maravilhoso amor, digno de ser observado, mas que não passa de um pálido símbolo do amor de Jesus: insondável amor do qual nada – nem mesmo a morte – seria capaz de nos separar (Romanos 8:38-39).

E SUCEDEU que, depois da morte de Saul, voltando Davi da derrota dos amalequitas, ficou dois dias em Ziclague;

2 Samuel 1:1-16 (leia aqui)

O incidente em Ziclague humilhou Davi e o conscientizou de sua fragilidade, mas também o trouxe de volta a um alegre relacionamento com o Senhor. Dessa forma, ele estava preparado para reinar. É sobre esse período que o segundo livro de Samuel trata.

O homem que trouxe a Davi a notícia da morte de Saul pensava consigo mesmo “que era como quem trazia boas-novas” (4:10). Para Davi isso não representava a morte de um inimigo e a oportunidade de subir ao trono? Mas aquele homem não conhecia Davi. No coração do “amado” do Senhor, a graça brilhava, acompanhada de altruísmo, amor pelo seu povo e respeito pela hierarquia divina. Como ele poderia alegrar-se com Israel derrotado e o rei desonrado diante dos inimigos do Senhor?

Davi interroga o homem. “Donde vens?”. O homem revelou que também pertencia aos inimigos de Israel, e a um dos piores deles: era um amalequita! Tentando enganar Davi com seu relatório mentiroso, a única coisa que conseguiu foi enganar a si mesmo (Provérbios 11:18). Ele achava que o novo rei receberia a coroa de suas mãos. Nesse aspecto, ele se assemelhou ao grande Inimigo que tentou persuadir Jesus – sem sucesso – a aceitar os reinos e a glória deste mundo (Mateus 4:8-10).

OS filisteus, pois, pelejaram contra Israel; e os homens de Israel fugiram de diante dos filisteus, e caíram mortos na montanha de Gilboa.

1 Samuel 31:1-13 (leia aqui)

Enquanto os eventos do capítulo 30 estão acontecendo, começa a batalha entre Filístia e Israel. Logo a vantagem passa a ser dos filisteus, por terem um corpo de arqueiros e, assim, Israel, atingido à distancia, não tem condições de utilizar suas armas. Repentinamente tudo está perdido para Saul. E, em contraste com Davi no capítulo anterior (v. 6), nem Deus estava com ele. A única saída que Saul vê é tirar sua própria vida. Judas fez a mesma coisa. Mas Saul é como muitas outras pessoas cujo desespero leva ao suicídio, em vez de aos braços do Senhor. Esperando escapar da desonra aqui na terra, Saul apenas se precipitou no abismo da miséria eterna. Pobre homem! Ele tinha o reinado e tudo o que poderia desejar neste mundo. Contudo, que bem há para os que perdem a sua alma (Marcos 8:36)?

Os homens de Jabes-Gileade, uma cidade unida por laços de sangue com a tribo de Benjamim (Juízes 21:14), mostram sua gratidão a Saul que certa vez os libertou (cap. 11).

Agora toda a velha ordem de coisas é colocada de lado para dar lugar ao rei escolhido por Deus – Davi, uma figura de Cristo na glória de Seu reino

E acharam no campo um homem egípcio, e o trouxeram a Davi; deram-lhe pão, e comeu, e deram-lhe a beber água.

1 Samuel 30:11-31 (leia aqui)

O pobre escravo egípcio, abandonado por seu mestre, ao qual Davi deu comida, nos lembra da condição do pecador perdido. Quando Satanás o abandona em um estado de total miséria e morte moral, Jesus, como o bom samaritano, lhe dá a vida, a força e a habilidade de servi-Lo.

Guiado por esse escravo, Davi e seus homens atacaram de surpresa os amalequitas, que estavam ocupados celebrando a suposta vitória. E Deus lhes permitiu recuperar tudo o que fora roubado e ainda tomar posse de muitos despojos. Isso é a misericórdia divina, da qual todos se beneficiaram, até mesmo os que guardavam a bagagem. Essa foi a resposta de Davi aos seus companheiros egoístas e invejosos. Não é esse também o ensinamento do evangelho? O trabalhador que foi contratado na hora undécima recebeu tanto quanto o contratado na primeira hora, apesar do ressentimento destes com o mestre que era cheio de misericórdia (Mateus 20:14-15). Não pensemos, por exemplo, que os crentes fracos e doentes serão menos favorecidos no dia de Cristo porque aparentemente não estão “na linha de frente”. Não somos capazes de julgar o serviço dos outros cristãos nem de estimar a sua recompensa. O Senhor preparou tudo para eles conforme Seu perfeito amor.

SUCEDEU, pois, que, chegando Davi e os seus homens ao terceiro dia a Ziclague, já os amalequitas tinham invadido o sul, e Ziclague, e tinham ferido a Ziclague e a tinham queimado a fogo.

1 Samuel 30:1-10 (leia aqui)

Deus não permitiu que Davi tomasse parte na batalha contra Saul, cuja vida por duas vezes poupou tão generosamente, nem lutasse contra Jônatas, seu amigo, nem contra Israel, sobre o qual foi chamado a reinar.

Mas, apesar de ter sido poupado disso, Davi agora teria de suportar a disciplina, como todo servo desobediente. Essa disciplina foi o desastre que encontrou ao voltar a Ziclague. Que tragédia para aqueles homens, e especialmente para o líder deles. O que ele mais amava lhe fora tirado. Não sabia se estavam mortos ou se apenas tinham sido capturados. Davi perdeu tudo. Pior que isso – exilado de Israel, perseguido por Saul, rejeitado pelos falsos amigos filisteus -, os amigos fiéis que o acompanhavam desde o começo agora se viram contra ele e desejam apedrejá-lo. Davi não tinha nada… mas Deus estava ao seu lado! E por isso lemos essas notáveis palavras: “Davi se reanimou no SENHOR, seu Deus” (v. 6). Não podendo mais contar com nada nem com ninguém, ele compreendeu o que a letra de um antigo hino diz: “Tu permanece quando nada mais resta”. Então com a força que encontrou em seu Deus, Davi sai resolutamente para perseguir os saqueadores amalequitas.

E AJUNTARAM os filisteus todos os seus exércitos em Afeque; e acamparam-se os israelitas junto à fonte que está em Jizreel.

1 Samuel 29:1-11 (leia aqui)

Como não havia uma guerra declarada entre Israel e a Filístia, a permanência de Davi entre os estrangeiros podia, estritamente falando, ser justificada pelo fato de o ódio de Saul tê-lo levado ao exílio. Porém, na iminência da batalha, essa situação se torna insustentável, e Davi percebe isso. No entanto, ele continua seu jogo duplo, mostrando-se pronto a pegar em armas para combater Israel. Mas o Senhor, em Sua misericórdia, usa a desconfiança dos filisteus para livrar Davi da armadilha que ele mesmo criou para si.

Para o cristão, o mundo não é apenas um estrangeiro, mas um inimigo. Tanto suas ameaças quanto seus elogios são tão perigosos quanto suas manifestações de violência.

O homem que ficou famoso por matar dez mil filisteus esqueceu suas próprias vitórias. Mas seus inimigos, por outro lado, lembravam delas com amargura (v. 5; 21:11). E, se esquecermos a cruz e nosso testemunho anterior, certamente o mundo levantará o dedo e nos dirá: “Esse aí não era o cristão que pensava ser melhor que nós?”.

E AJUNTARAM os filisteus todos os seus exércitos em Afeque; e acamparam-se os israelitas junto à fonte que está em Jizreel.

1 Samuel 29:1-11 (leia aqui)

Como não havia uma guerra declarada entre Israel e a Filístia, a permanência de Davi entre os estrangeiros podia, estritamente falando, ser justificada pelo fato de o ódio de Saul tê-lo levado ao exílio. Porém, na iminência da batalha, essa situação se torna insustentável, e Davi percebe isso. No entanto, ele continua seu jogo duplo, mostrando-se pronto a pegar em armas para combater Israel. Mas o Senhor, em Sua misericórdia, usa a desconfiança dos filisteus para livrar Davi da armadilha que ele mesmo criou para si.

Para o cristão, o mundo não é apenas um estrangeiro, mas um inimigo. Tanto suas ameaças quanto seus elogios são tão perigosos quanto suas manifestações de violência.

O homem que ficou famoso por matar dez mil filisteus esqueceu suas próprias vitórias. Mas seus inimigos, por outro lado, lembravam delas com amargura (v. 5; 21:11). E, se esquecermos a cruz e nosso testemunho anterior, certamente o mundo levantará o dedo e nos dirá: “Esse aí não era o cristão que pensava ser melhor que nós?”.

Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir? Então disse Saul: Mui angustiado estou, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus se tem desviado de mim, e não me responde mais, nem pelo ministério dos profetas, nem por sonhos; por isso te chamei a ti, para que me faças saber o que hei de fazer.

1 Samuel 28:15-25 (leia aqui)

Que cena deprimente! A própria mulher grita em alta voz (v. 12). Pois não foi em razão dos encantamentos dela que Samuel apareceu. Nem ela nem seu mestre, Satanás, tinham o poder de fazer isso. Foi a mão de Deus que, por um momento, abriu a porta do lugar de descanso dos mortos e fez Seu servo Samuel aparecer ali. O que o profeta tem a dizer parece ser a mensagem que, quando ele era ainda criança, fora encarregado de transmitir a Eli (3:11-13). É uma terrível confirmação do juízo do Senhor. Só mais um dia, e isso devia ser executado. O reino estava prestes a ser retirado de Saul e dado a Davi. O rei e seus filhos devia acompanhar Samuel ao lugar onde os mortos esperam a ressurreição: para a vida ou para o castigo eterno.

O fim deste homem, que tinha começado seu reino com tais promessas, é muito grave. Queridos amigos, lembrem-se bem disto: pessoas de bom caráter, mas que não possuem a nova vida, estão destinadas ao castigo eterno, exatamente como o mais terrível pecador. Jesus dá a nova vida a todos que a pedem. E você, a possui?

E SUCEDEU naqueles dias que, juntando os filisteus os seus exércitos à peleja, para fazer guerra contra Israel, disse Aquis a Davi: Sabe de certo que comigo sairás ao arraial, tu e os teus homens.

1 Samuel 28:1-14 (leia aqui)

Enquanto Davi está em Gate, em uma posição dúbia e perigosa, Saul passa por uma situação mais terrível ainda. Confrontado pelos filisteus, reunidos para outra guerra, o coração de Saul treme porque não havia nada em que podia apoiar-se. Tendo abandonado o Senhor, Saul foi abandonado por Ele. Saul fez tudo o que podia, mas foi perda de tempo. Deus não o ouviu! É uma solene ilustração de Provérbios 1:24-28. Não esqueçamos que nem mesmo um crente pode esperar conhecer a vontade de Deus se há algo errado em sua consciência.

Hoje em dia, muitas pessoas ainda acham que podem recorrer aos mortos. O diabo usa isso para desviar essas pobres almas supersticiosas. Na verdade, elas não estão comunicando-se com os mortos, mas com demônios.

Filhos de Deus, não sejam curiosos acerca dessas coisas. Elas são uma abominação aos olhos de Deus (Deuteronômio 18:10-12; Levítico 19:31). Saul sabia disso. Nos tempos áureos, ele havia expulsado os médiuns de Israel (v. 3). Porém, como era um homem instável e carnal, ele procurou a feiticeira de Endor.

DISSE, porém, Davi no seu coração: Ora, algum dia ainda perecerei pela mão de Saul; não há coisa melhor para mim do que escapar apressadamente para a terra dos filisteus, para que Saul perca a esperança de mim, e cesse de me buscar por todos os termos de Israel; e assim escaparei da sua mão.

1 Samuel 27:1-12 (leia aqui)

A primeira visita de Davi a Aquis resultou em completo constrangimento (21:10-15). No entanto, apesar disso, ele agora volta por temer Saul. Não podemos mais reconhecer o homem que, no capítulo anterior, penetrou sem medo no acampamento do adversário para pegar a lança da tenda de Saul. E menos ainda podemos reconhecer o homem que tinha vencido Golias e agora procura refúgio com os filisteus. Infelizmente, os seguidores de Jesus muitas vezes também se tornam irreconhecíveis. Com a ajuda de Deus, talvez tenhamos vencido algumas batalhas. Como Davi, demonstramos nossa confiança em Deus e ousadamente testemunhamos diante dos homens. Características da graça podiam ser vistas em nós. Então, de repente, tudo desaparece, e nos encontramos ao lado do mundo, unidos aos inimigos do Senhor.

Em Gate, Davi se esqueceu da derrota de Golias. Queridos leitores, jamais esqueçamos a cruz. Como um abismo, ela nos separa do mundo que crucificou Jesus (Gálatas 6:14).

E Davi, passando ao outro lado, pôs-se no cume do monte ao longe, de maneira que entre eles havia grande distância.

1 Samuel 26:13-25 (leia aqui)

Talvez seja difícil para nós entendermos a personalidade de Saul. Como podemos conciliar seus remorsos, promessas e demonstrações de afeto com a obstinação que novamente o fazia perseguir Davi? Jamais devemos confundir com sentimentalismo. Este último é capaz de fazer uma pessoa verter copiosas lágrimas, de arrepender-se sem a verdadeira convicção, de dizer “Pequei” (15:30; 26:21) e também de celebrar os mais solenes contratos. Mas a consciência não é tocada, e a prova disso é que os frutos não duram. Saul é um homem superficial, capaz de emoções arrebatadoras, porém sem a força de levar suas resoluções a cabo por não ter fé.

Que dignidade Davi preserva, apesar de tanta humilhação. Destruído como uma “perdiz nos montes”, tudo mostra que, no entanto, ele é o mestre da situação. Ele reprova Abner e faz uma pergunta que Saul não pôde responder (v. 18).

Nosso coração mais uma vez é levado Àquele que, depois de ter sido humilhado, escarnecido e rejeitado, será “exaltado e elevado e será mui sublime… e os reis fecharão a sua boca por causa dele” (Isaías 52:13-15).

E VIERAM os zifeus a Saul, a Gibeá, dizendo: Não está Davi escondido no outeiro de Haquilá, defronte de Jesimom?

1 Samuel 26:1-12 (leia aqui)

A generosidade de Davi no capítulo 24 finalmente tocou o coração de Saul. Mas infelizmente não havia nenhum indício de arrependimento verdadeiro! A covarde denúncia dos zifenitas que desejavam obter o favor de Saul trouxe-o de volta ao país para novamente perseguir aquele que um dia tomaria seu lugar. O Salmo 54, escrito nessa ocasião, permite-nos julgar quão terrível foi para Davi esse infame ato dos zifenitas. Ele clama pela ajuda de Deus contra os homens violentos que querem matá-lo; “não têm Deus diante de si” (Salmo 54:3). Contudo, Davi implora a Deus que, em resposta, proteja Seu ungido e lhe dê mais uma oportunidade de mostrar a pureza de suas intenções a Saul. Uma expedição noturna coloca nas mãos de Davi a lança com a qual o criminoso rei por duas vezes tentou matá-lo. Apenas uma palavra seria suficiente – Abisai estava ansiando por ela. Mas novamente a misericórdia impede que Davi faça alguma coisa contra Saul.

Não foi assim que nosso perfeito Modelo agiu (Lucas 9:54)? Ele colocou em prática o que antes tinha ensinado aos Seus discípulos: “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam… Sede misericordiosos… Não julgueis… não condeneis” (Lucas 6:27-28, 36-37). Isso é o que devemos fazer hoje também!

Então Davi disse a Abigail: Bendito o Senhor Deus de Israel, que hoje te enviou ao meu encontro

1 Samuel 25:32-44 (leia aqui)

Enquanto Nabal celebra como um rei (após ter rejeitado e insultado o verdadeiro rei), o próprio Deus o aflige. Não perdemos nada deixando o Senhor agir por nós.

Abigail, uma mulher de fé, distingue-se por sua sensatez, seu senso de urgência (ela se apressa; v. 18, 23, 42), sua humildade e devoção. “Quando o SENHOR te houver feito o bem, lembrar-te-ás da tua serva” (v. 31, compare o pedido dela com o do ladrão em Lucas 23:42).

Ela recebe uma resposta que excede todas as suas expectativas – Davi a toma por esposa. E, sem um único arrependimento, essa mulher deixa as riquezas para compartilhar o destino do rei rejeitado nas cavernas e desertos. Anteriormente casada com um tolo, ela se torna a feliz companhia do “amado” em seus sofrimentos naquele momento, e em seu reinado no futuro. Que bela figura da Igreja, noiva de Cristo, compartilhando a posição de seu Senhor, neste momento rejeitado e desconhecido pelo mundo, para em um breve futuro vir com toda a Sua glória e majestade! “Se perseveramos, também com ele reinaremos” (2 Timóteo 2:12; Romanos 8:17).

Então Abigail se apressou, e tomou duzentos pães, e dois odres de vinho, e cinco ovelhas guisadas, e cinco medidas de trigo tostado, e cem cachos de passas, e duzentas pastas de figos passados, e os pôs sobre jumentos.

1 Samuel 25:18-31 (leia aqui)

“Pagam-me o mal pelo bem, o que é desolação para a minha alma”, disse Davi no Salmo 35:12. Era isso o que Nabal estava fazendo. Saul tinha feito isso no capítulo anterior, como ele mesmo reconheceu: “Tu me recompensaste com bem, e eu te paguei com mal” (24:17). Mas desta vez Davi não retribuiu com o bem. Em uma explosão de ira, o capitão ofendido prepara sua espada para a vingança. Ele não mais se parece com o perfeito Modelo, “pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pedro 2:23).

Na casa de Nabal, sabedoria e insensatez habitavam lado a lado. A loucura foi demonstrada pela boca do incrédulo Nabal (cujo nome significa tolo). A sabedoria, por sua vez, é revelada em Abigail, uma mulher “sensata” (v. 3). Com seus presentes, ela vai ao encontro daquele que reconhece como o ungido do Senhor. Ela se curva até o chão, confessa sua indignidade e exalta a glória presente e futura que sua fé discerne no rei escolhido por Deus. Vemos que a incredulidade e a loucura andam de mãos dadas, enquanto a verdadeira sabedoria e a são inseparáveis.

E FALECEU Samuel, e todo o Israel se ajuntou, e o prantearam, e o sepultaram na sua casa, em Ramá. E Davi se levantou e desceu ao deserto de Parã.

1 Samuel 25:1-17 (leia aqui)

Samuel morre, e com isso cessam suas fiéis orações em favor do povo (12:23). Moisés e Samuel são dois grandes exemplos de intercessores (Jeremias 15:1). É muito sério quando o Senhor recolhe um homem ou mulher de oração, quando uma voz é silenciada… talvez após muita oração a nosso favor. Contudo, a intercessão do Senhor Jesus jamais acaba. “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25).

Davi, o verdadeiro rei, o salvador de Israel, está no meio do povo como um fiel pastor. Ele cuidava dos rebanhos de Nabal com o mesmo zelo que tratava os seus próprios animais. Agora envia um jovem com uma mensagem de paz para a casa daquele homem (v. 6; Lucas 10:5). Mas Nabal despreza Davi e o trata com escárnio (v. 10). Nabal é como aqueles fariseus que disseram sobre Jesus: “Este nem sabemos donde é” (João 9:29). Nabal rejeitou tanto o rei como os mensageiros dele. Isso é também o que o Senhor declarou aos Seus discípulos: “Quem vos der ouvidos ouve-me a mim; e quem vos rejeitar a mim me rejeita” (Lucas 10:16).

E SUCEDEU que, voltando Saul de perseguir os filisteus, anunciaram-lhe, dizendo: Eis que Davi está no deserto de En-Gedi.

1 Samuel 24:1-22 (leia aqui)

Davi e seus companheiros encontraram refúgio em outras cavernas: nas fortalezas de En-gedi. Hebreus 11:38 nos fala de “(homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra”. Então vemos Saul exalando ameaças e morte (exatamente como Saulo em Atos 9:1). E por acaso, enquanto perseguia Davi, ele entrou na caverna onde seu inimigo estava escondido. Os companheiros de Davi viram nisso a mão de Deus: “O Senhor está lhe dando uma oportunidade de eliminar seu inimigo e ocupar seu lugar no trono”. Davi, contudo, não se vingou. Ele honrou o “ungido do Senhor”, a despeito da impiedade de Saul (1 Pedro 2:17). Ele também estava colocando em prática a exortação de Romanos 12:19: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados”. A nobreza e a mansidão de Davi fazem-nos lembrar Daquele que não se vingou de Seus inimigos; pelo contrário, orou por eles: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).

Confundido (ver Salmo 35:4) e humilhado, Saul teve de reconhecer os direitos de Davi ao reinado sobre Israel. Os inimigos de Cristo também terão de confessar que Ele é “Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:11; Isaías 49:7).

E Davi permaneceu no deserto, nos lugares fortes, e ficou em um monte no deserto de Zife; e Saul o buscava todos os dias, porém Deus não o entregou na sua mão.

1 Samuel 23:14-29 (leia aqui)

Saul, cego e obstinado, ousou dizer acerca de Davi no versículo 7: “Deus o entregou nas minhas mãos“. Mas no versículo 14 a verdade aparece, com uma dose de ironia: “Deus não o entregou nas suas mãos“. No entanto, o “amado”, o rei “segundo o coração de Deus”, tem de experimentar a amargura e a injustiça, como todos os proscritos da sociedade. Ele tinha de experimentar toda a impiedade, o ódio, a inveja, a ingratidão e ate a traição contra si. Os zifenitas não se assemelham a Judas vendendo o Mestre? Sim, Jesus, o Rei rejeitado, conheceu infinitamente mais que Davi esse transbordar do mal, uma “tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo” (Hebreus 12:3). Ele sofreu da maneira mais profunda possível.

O que Davi aprendeu depois ficou registrado em alguns salmos compostos no deserto (Salmos 54 e 63). A visita de Jônatas o encoraja e conduz seus pensamentos para o futuro. Mas o fiel amigo voltou para a casa dele (João 7:53), enquanto Davi, símbolo de Alguém maior que ele, continuou seus caminho de rejeição com todos os que largaram tudo para segui-lo.

E FOI anunciado a Davi, dizendo: Eis que os filisteus pelejam contra Queila, e saqueiam as eiras.

1 Samuel 23:1-13 (leia aqui)

Quando Davi soube do ataque filisteu a Queila, ele poderia ter dito: “Defender o país é problema de Saul”. Mas não o fez! Apesar do risco, esse homem que havia libertado suas ovelhas da boca do leão e do urso avança para ajudar a cidade em perigo. Dessa forma, Davi age como um verdadeiro rei. E antes de tudo ele não se esqueceu de perguntar o que Deus pensava sobre isso (v. 2). Façamos o mesmo, mesmo quando estivermos diante de algo que parece bom para nós. Isso é o que se chama dependência!

Os homens de Davi estavam muito temerosos. Eles nos fazem lembrar dos discípulos do Senhor que “se admiravam e o seguiam tomados de apreensões” (Marcos 10:32).

Para encorajar seus homens, Davi mais uma vez perguntou ao Senhor, que lhe deu a mesma resposta. E a vitória foi conquistada. Mas infelizmente Davi sabia que o povo a quem ele libertara era capaz de entregá-lo nas mãos de Saul sem a menor hesitação. Ele não confiava naquelas pessoas. Não aconteceu a mesma coisa com o Senhor? Ele veio para libertar Seu povo; contudo “o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana” (João 2:24-25).

Então o rei mandou chamar a Aimeleque, sacerdote, filho de Aitube, e a toda a casa de seu pai, os sacerdotes que estavam em Nobe; e todos eles vieram ao rei.

1 Samuel 22:11-23 (leia aqui)

Enquanto Davi, o futuro rei, está fugindo e peregrinando com seu fiel “séquito”, Saul maquina planos sinistros contra ele. Ao mesmo tempo, o ciúme do rei o leva a assassinar os sacerdotes do Senhor. E o que não fez com Amaleque, um cruel inimigo do povo, Saul não pensou duas vezes para fazer com a cidade de Nobe. Todos e tudo foram passados ao fio da espada. Para executar sua vingança, Saul usou um traidor, o edomita Doegue, terrível figura do Anticristo que no futuro se levantará contra tudo o que se chama Deus e contra Israel (ver Salmo 52:1).

Consideremos agora, por outro lado, uma figura cheia de graça – a reunião de Abiatar ao ungido do Senhor. “Fica
comigo, não temas“, Davi o aconselha. “Porque quem procura a minha morte procura também a tua; estarás a salvo comigo”.
Jesus lembrou aos Seus discípulos: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim” (João 15:18, 20). É a perseguição e o ódio do mundo que lhe causa temor? Então escute uma preciosa e infalível promessa como se viesse dos próprios lábios de nosso Senhor: “Estarás a salvo comigo” (v. 23) ou, em outras palavras, “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço… e ninguém as arrebatará da minha mão” (João 10:27-28).