O Dízimo no Dicionário Internacional de Teologia

 

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      Entre as obras mais acessíveis ao povo cristão da literatura evangélica, apenas uma burlou o sistema religioso registrando em suas preciosas páginas, a verdadeira origem do dízimo de dinheiro praticado atualmente pelas denominações evangélicas. É a única que se atreve a contar a história do dízimo no Novo Testamento. Que ele não era praticado pelos apóstolos ou pela Igreja Primitiva, e muito menos pelos Pais da Igreja. Veja o que o dicionário bíblico, um dos mais respeitados, escreve acerca do dízimo no Novo Testamento:

          “1. O Dízimo no NT. Já que o dízimo desempenhou um papel tão importante no Antigo Testamento e no judaísmo contemporâneo do cristianismo primitivo, é surpreendente descobrir que, em nenhuma ocasião, o dízimo é mencionado em qualquer das instruções dadas à igreja. Jesus menciona®escribas e®fariseus que dão o dízimo(Mt 23.23 par. Lc 11.42; 18.12), mas nunca mandou que seus discípulos dessem o dízimo. O escritor aos hebreus se refere a Abraão que pagou dízimos a®Melquisedeque, e a Levi que pagou seu dízimo a Melquisedeque através de Abraão(Hb 7.2,5), mas nunca ensinou seus leitores a seguirem o exemplo deles. Paulo escreve acerca do repartir as®posses materiais para cuidar das necessidades dos®pobres(1 Co 16.1-3; 2 Co caps. 8-9; Ef 4.28) e para sustentar o ministério cristão(1 Co cap. 9). Insiste na generosidade e a recomenda(2 Co 9.6; 8.1-5) mas nunca exige, nenhuma só vez, como mandamento da parte de Deus, que qualquer montante específico seja dado …

           … A totalidade do vocabulário especial de Paulo acerca da contribuição(charis®graça, 1 Co 16.3, koinõnia,®comunhão, 2 Co 8.4; diakonia, “serviço”, Co 8.4; 9.1; eulogia, “louvor”, “bênção”, 2 Co 9.5), e seu ensino explícito sobre o assunto(Rm 15.25-28; 1 Co 9.8-18; 2 Co caps. 8 9) indicam que, para o cristão, a contribuição é voluntária, um ato da livre vontade, o compartilhar não-compulsório das suas posses materiais, sem montante estipulado, como seria uma taxa ou dízimo, que pudesse ser exigido dele…

          … Sendo assim, a contribuição do cristão, em contraste com aquela do santo no Antigo Testamento, não é feita com relutância ou compulsão(2 Co 9.7), nem se limita a um dízimo da renda de cada ano. Pelo contrário, é feita com bom ânimo, voluntária e sistematicamente, e com generosidade sem limites(1 Co 16.1,2; 2 Co 9.6-9).

  1. O Dízimo na Igreja Primitiva. Nos escritos dos Pais apostólicos e dos apologistas, não aparecem as palavras comuns para o dízimo. Mesmo assim, a contribuição ainda continuou sendo uma parte da adoração cristã primitiva. Justino Mártir observa que cada domingo aqueles que prosperaram e têm esta vontade, contribuem, cada um na quantidade que quiser. Aquilo que é coletado é depositado com o presidente, e ele cuida dos órfãos e das viúvas, e dos necessitados… e aqueles que estão presos e dos forasteiros que habitam entre nós(I Apol. 67;cf. também Apost. Const. 2, 27). Irineu considerou o dizimar uma lei judaica que não se requer dos cristãos, porque os cristãos receberam a liberdade e devem, em consequência, dar sem constrangimento externo(Haer. 4, 18, 2). Orígenes considerava que o dízimo era algo que deveria ser ultrapassado, de longe, pelos cristãos nas suas distribuições(In Num. hom. 11). Sendo assim, para os antigos Pais da Igreja, bem como para os escritores do NT, o dízimo era coisa do passado; agora, um novo princípio para as dádivas os guiava, e os impulsionava a compartilhar — a bondade de Deus e a compulsão interna do Espírito Santo.

          Nota-se que, neste período primitivo da história da igreja, a contribuição ainda era voluntária, relacionava-se diretamente com o caso de uma pessoa ter prosperado na mão de Deus, ou não, e era principalmente para socorrer os pobres. Pouco, ou nada, se dizia sobre como se sustentava os clérigos e a igreja. Supõe-se que eram mantidos pelas ofertas voluntárias das pessoas às quais ministravam. Mais tarde, porém, o dízimo foi reintroduzido como meio de sustentar a igreja. Foi reintroduzido, de início, com a ajuda de passagens do NT tais como Mt 10.10; Lc 10.7; 1 Co 9.3-4, etc. e numa base voluntária. Finalmente, porém, foi necessário o poder da lei civil para impor aquilo que a instrução não conseguiu levar a efeito. O famoso decreto de Carlos Magno(785 d.C.) já não dava ao povo uma opção — eram tributados para o sustento da igreja, quer gostassem, quer não.

  1. F. Hawthorne

(BROWN, Colin; COENEN, Lothar; Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento; Trad. Gordon Chown; Vol. I; Vida Nova; São Paulo; 8ª edição; 2013; pp. 600,601)

Postado por BASTIDORES DA SUA IGREJA às 11:05

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